6.27.2006

"A tranquilidade é a serenidade; fluente é a sabedoria. Nós praticamos meditação para acalmar a mente e torná-la serena; só então ela pode fluir."

citação do Venerável Ajahn Chah
"No dia em que percebi que tinhas aparecido na minha vida com o intuito de ficar, de me ensinar, de me provocar a conhecer-me... também percebi que olhar para mim é tolerar-me, cá dento, no bom e no mau, no melhor e no pior. Amar-me no espaço e no tempo que percorrem os meus vazios nas alturas em que penso que tolerar os outros é mais importante do que tolerar-me a mim própria!E tu... sinceramente por dentro e por fora, amas-te?" _comentário a 14.06.06


Hoje é um bom dia para te comunicar, porque hoje não me sinto a 100%, e é nestas alturas que nos questionamos mais e nos gostamos um pouco menos.
todos os dias procuro aceitar a minha "forma" desta vida e deste planeta, procuro adaptar-me ao máximo a esta sociedade bem como às suas exigências, aos seus conceitos e preconceitos...
Há dias melhores e dias piores... mas amar amo a essência, a luz, os meus mestres e guias, o universo na sua forma mais pura, os que me rodeiam e escolhi para esta jornada, e a mim por todos os dias me esforçar por me manter fiel aos meus princípios e ao verdadeiro caminho e missão neste vinda.
Nem sempre é fácil, pelo contrário, é bastante difícil, é um caminho solitário, de disciplina.
Se me esquecer de tudo isto e olhar para mim ao espelho? Sim amo-me, com todos os meus defeitos, qualidades e características. É tudo isto que me torna única e exclusiva.
Mas hoje também não é um bom dia para falar de amor próprio, ou talvez seja, pois é nestes dias mais melancólicos, xoxos, down, de neura..... que podemos fazer um esforço, e entre um gelado e um salame, que julgamos acalmar as mágoas, podemos parar o tempo, observar o nosso interior e questionarmo-nos do que é que realmente nos queixamos???
quem te disse que esta vida ia ser fácil?
já pensaste que se te aperfeiçoares nesta a próxima será mais fácil?
não te esqueças que tens de investir no presente!
Hoje é dia de citações, para que na nossa constante aprendizagem, não nos esqueçamos de certas verdades.
Deixo te/me com os princípios fundamentais do Budismo, não porque me considere budista, mas porque os considero grandes verdades:
O que são as Quatro Nobres Verdades

As Quatro Nobres Verdades são o cerne filosófico e prático do Budismo, ou seja, quatro noções básicas que contextualizam os demais os ensinamentos e práticas. Desde os primeiros discursos do Buda a seus discípulos, ele apresentou tais noções dessa maneira sistemática como um entendimento fundamental a partir do qual outros ensinamentos mais complexos e específicos podem ser compreendidos.
Todas as escolas do budismo reconhecem e se baseiam nas Quatro Nobres Verdades. Além das diversas explicações e métodos originados a partir delas, os praticantes são diferentes uns dos outros, e desta maneira, existem também diversos níveis de compreensão das Quatro Nobres Verdades.
As citações que aparecem nesse texto são provenientes do Dhammacakkapavattana Sutta (Colocando a Roda do Dhamma em Movimento).


Quais são as Quatro Nobres Verdades

Dukkha ariya sacca
A primeira verdade nobre é a verdade nobre do sofrimento, insatisfação, mais precisamente,
dukkha, que é uma das três marcas da existência. Ela quer dizer que a mente, tomada pela ignorância, não é capaz de dissociar a insatisfação da experiência sensorial.
"Agora essa, monges, é a nobre verdade do sofrimento: o nascimento é insatisfatório, o envelhecimento é insatisfatório, a morte é insatisfatória; aflição, lamentação, dor, angústia e desespero são insatisfatórios; a associação com pessoas desagradáveis é insatisfatório, a separação dos entes queridos é insatisfatória, não obter o que se deseja é insatisfatório. Em resumo, os cinco agregados de apego/sustentação são insatisfatórios."

Dukkha samudaya ariya sacca
O desejo (pelo prazer sensual, desejo pelo devir, desejo por não-devir) é a
origem de dukkha, a segunda nobre verdade. Aqui é apresentado o motivo pelo qual a mente ignorante nunca está plenamente satisfeita: através dos sentidos, entra em contato com sons, aromas, sabores, sensações táteis e idéias, e adquire apego às sensações agradáveis e aversão às desagradáveis. Entretanto, como o mundo está em constante mutação, esse desejo nunca se satisfaz.

"E essa, monges, é a nobre verdade da originação do sofrimento: o desejo que causa um futuro devir — acompanhado pela paixão e deleite, saboreando ora aqui e ora lá — i.e., desejo pelo prazer sensual, desejo por devir, desejo por não-devir."


Dukkha nirodho ariya sacca
É através da compreensão do processo que causa a insatisfação que o desejo pode ser abandonado e assim alcançar a
cessação de dukkha, a terceira nobre verdade. Se a insatisfação surge porque a mente está constantemente projetando sua felicidade e sua tristeza na experiência sensorial, se esse condicionamento for eliminado é possível alcançar uma satisfação incondicionada.

"E essa, monges, é a nobre verdade da cessação do sofrimento: esvanecimento e cessação, renúncia, abdicação, liberação e abandono sem residuo desse mesmo desejo."


Dukkha nirodha gamini patipada ariya sacca
A quarta verdade nobre é o caminho que conduz à cessação da insatisfação, ou seja, um conjunto de práticas que permitem reconhecer a verdadeira natureza da mente e sua relação com os sentidos, de forma que a experiência sensorial deixe de ser um aspecto condicionante da felicidade e tristeza, portanto eliminando a insatisfação em sua origem. Esse conjunto de práticas é conhecido como o
Nobre Caminho Óctuplo.
"E essa, monges, é a nobre verdade do caminho da prática que conduz à cessação do sofrimento: precisamente esse Nobre Caminho Óctuplo — visão correta, intenção correta, fala correta, ação correta, meio de vida correto, esforço correto, atenção correta e concentração correta."

Consequências práticas e morais
Frequentemente, pessoas pouco familiarizadas com a cosmovisão budista associam as Quatro Nobres Verdades com uma perspectiva pessimista da vida, por abordá-la sob a perspectiva do sofrimento e insatisfação. Entretanto, uma análise criteriosa revela que de fato é uma concepção extremamente positiva, pois apesar de reconhecer a insatisfatoriedade associada à experiência sensorial (primeira verdade), defende que a causa dessa insatisfação pode ser conhecida (segunda verdade), eliminada (terceira verdade) e propõe uma maneira de se alcançar esse objetivo (quarta verdade).
Essencialmente, essa concepção coloca a moral não como oriunda de uma força, lei ou ser supremo, mas como uma ferramenta útil para desobstruir a mente de seus hábitos insalubres que obstruem a realização desse estado incondicionado.

Retirado da bendita que faz com que não
tenha de transcrever tudo dos livros,
mesmo que por vezes o seu conteúdo
não seja 100% correcto

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

"Não te esqueças que tens de investir no presente!", escreveste tu para mim, para o mundo e para ti própria. Depois de te ler, pensei: investir no presente é investir na relação que tenho comigo ou com os outros? O momento presente sou eu consciente do que sou e do que é estar viva assim como do que cá estou a fazer... ou o momento presente é aquilo com que eu faço com os outros e os outros comigo? As acções, os olhares, os sorrisos, os abraços, as palavras... que não acontecem por si só. O momento presente é o meu toque no existir dos outros e o deles no meu. Ao investir no momento presente então também estou a investir na minha relação contigo. Hoje... foi produtivo;)
Houve partilha de confrontos interiores, exteriores a nós e de ser para ser. OBRIGADA por me deixares dar-te um pouco do que posso ser para ti. OBRIGADA por teres conseguido receber no que te li e no que te escrevi.
E se há ainda algo que te queira perguntar hoje, porque não aquela questão que intencionalmente me levará também a mim a receber:
"PORQUÊ EU?"

28/6/06 19:29  

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